segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Documentário - Criança, a alma do negócio


Pode parecer brincadeira, mas as crianças hoje em dia conhecem mais as marcas de salgadinhos do que os nomes das frutas. É o que mostra o documentário Criança, A Alma do Negócio, que abriu o segundo Fórum da Criança e Consumo em setembro passado no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo.

Dirigido pela cineasta Estela Renner e produzido por Marcos Nisti, o documentário promove uma reflexão sobre como a sociedade de consumo e as mídias de massa impactam na formação de crianças e adolescentes.
Criança, A Alma do Negócio, mostra a realidade em que vivemos: crianças que preferem ir ao shopping a brincar, conhecem marcas pelo logotipo, e apesar de terem uma vasta coleção de brinquedos e jogos se encantam mesmo é por um pequeno bonequinho de plástico.

O Instituto Alana foi o ponto de partida do documentário. Depois de registrar vídeo-aulas com os conselheiros da organização, Estela percebeu como a infância de nossas crianças está sendo sabotada pelo excesso de publicidade dirigido à elas, e que a maioria dos pais ou não percebe, ou não sabe como agir perante tal quadro.

“Acho uma grande covardia a publicidade ser dirigida à criança. Quer vender o seu produto? Fale com alguém do seu tamanho, não use meu filho como promotor de vendas dentro da minha casa…Nunca vou esquecer quando meu filho de 3 anos pediu para eu ir ao posto Shell”, diz uma das mães entrevistadas. O filme mostra que a ética se perdeu pela busca do lucro - e nossas crianças arcam com o prejuízo de uma infância encurtada.

A produção do documentário abriu mão dos direitos autorais, para que o mesmo possa ser assistido por todas as pessoas que tiverem interesse no assunto.

Segue o trailer do documentário e o mesmo pode ser visto na integra no link:


video



Filmes para assistir de graça na internet


Já imaginou assistir a clássicos e alguns filmes atuais na hora em que tiver vontade e ainda de graça?Filmes como os “Incompreendidos”, de François Truffaut,”Nanook do Norte”, de Robert Flaherty, “A Melodia de Arrabal”, de Louis J. Gasnier, com Carlos Gardel interpretando o boêmio Roberto pelos subúrbios de Buenos Aires e “A Doce Vida”, clássico de Fellini.

Esses e mais de quinhentos outros títulos estarão a distância de um clique apenas.

Na última quinta-feira, 17, a locadora de filmes NetMovies adquiriu a empresa Pipoca Online, locadora virtual de DVD. Hoje, com mais de 20 mil filmes no acervo para operação offline a empresa comemora junto aos seus usuários um trunfo: Live, ferramenta de streaming que disponibiliza filmes para serem assistidos a qualquer momento e de graça.


Para fazer uso do serviço basta realizar cadastro (também gratuito) no site www.netmovies.com.br

Intitulado NetMovies Live, a ferramenta pretende oferecer 2,5 mil títulos até o começo de 2010. Vamos aguardar assistindo e revendo os mais de 500 filmes já disponíveis.


Fonte: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2009/12/filmes-para-assistir-de-graca-na-internet/


Eu já efetuei meu cadastro e realmente é verdade... vale a pena conferir...



Fita Verde no Cabelo (Nova Velha Estória)


Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam.
Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia.
Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.
Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo.
Então, ela, mesma, era quem se dizia:
– Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou.
A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vinha-lhe correndo, em pós.
Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa.
Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
– Quem é?
– Sou eu… – e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.
Vai, a avó, difícil, disse: – Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.
Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.
A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.
Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
– Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!
– É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta… – a avó murmurou.
– Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!
– É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta… – a avó suspirou.
– Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?
– É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha… – a avó ainda gemeu.
Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: – Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.


João Guimarães Rosa



O evangelho segundo Jesus Cristo: o Jesus humanizado de José Saramago

Eai galerinha!!!! estou lendo um livro fabuloso do José Saramago, é uma visão totalmente humanizada da história que conhecemos como sagrada.
Segue um pequeno comentário para aguçar a curiosidade epistemológica...


"Antes eu dizia: 'Escrevo porque não quero morrer'.
Mas agora mudei. Escrevo para compreender. >
O que é um ser humano?"
(José Saramago)


O livro O evangelho segundo Jesus Cristo do escritor português José Saramago é uma experiência literária imperdível. Publicado em 1991, o livro tornou-se um dos mais polêmicos da carreira do escritor. E também um dos mais vendidos. Por causa dele, Saramago foi duramente criticado e até considerado sacrílego, mas isso apenas confirmou que sua obra mexe com o leitor.

Quem imagina encontrar apenas crítica à religião está muito enganado. É uma obra que põe em dúvida não só a sacralização da história bíblica, mas também a sacralização científica. A própria linguagem mais próxima da falada (como se fosse um diálogo) já é uma diferenciação da linguagem sagrada das escrituras. Não se trata, entretanto, de um livro realista e sim de uma tentativa de contar uma história de um ponto de vista humano. Para isso, o foco do livro é um Jesus humanizado.

Todo o primeiro capítulo do livro é uma descrição detalhada de uma gravura medieval que representa a cena da Paixão de Jesus Cristo. De forma abrupta, o leitor é, então, lançado à narração de uma história. A vida de Cristo é contada. O leitor está diante, então, de uma nova versão do mesmo acontecimento com os mesmos personagens. E esses acontecimentos são vistos à luz do presente e preenchido de realidade humana.

"... A barriga de Maria crescia sem pressa, tiveram de passar-se semanas e meses antes que se percebesse às claras o seu estado, e, não sendo ela de dar-se muito com as vizinhas, por tão modesta e discreta ser, a surpresa foi geral nas redondezas..."

A humanização de Jesus Cristo é construída ao longo do texto também pela omissão dos episódios biográficos em que ele foi descrito como ser eleito, capaz de dar vida. Até o desfecho da história marca essa humanidade: a narração termina com a morte de Jesus, ele não a supera como na história tradicional.

Mas tudo é história e o narrador tem consciência que sua narrativa é "uma memória inventiva" e que "tudo é o que dissermos que foi". É a ironia revelada não só no distanciamento em relação ao passado como também no pacto que ele faz com seu leitor ao longo do texto. Então, se você topar o pacto com Saramago, com certeza terá uma ótima e inesquecível leitura.


José Saramago nasceu em 1922 em Portugal. Publicou seu primeiro livro em 1947. Em 1998 tornou-se o primeiro autor de língua portuguesa a receber o maior prêmo mundial de literatura: O Prêmio Nobel.




domingo, 20 de dezembro de 2009

CRIANÇAS, FOLIAS, RAP E CORDEL - TEMPORADA DA BIBLIOTECA MÓVEL ITAPEMIRIM EM CARAPICUÍBA FOI ENCERRADA COM GRANDE ESTILO NA ALDEIA

Durante todo o mês de outubro o Projeto Biblioteca Móvel Itapemirim (unidade Itapemirim) incentivou a leitura para crianças, jovens e adultos em Carapicuíba. O Projeto foi realizado pelo Grupo Itapemirim e pela Prefeitura do Município sob iniciativa da Secretaria da Educação e da Cultura.

Dos 4437 visitantes, entre os horários das 9h30 às 17h00, o público no ônibus biblioteca foi composto em cerca de 90% por crianças de escolas públicas e particulares, ONGs, CAPS Infantil e de comunidades locais.

Cobrindo com alegria quatro pontos da cidade, o Projeto desenvolveu atividades lúdicas com contação de histórias e uma rica programação cultural. Para tanto, 60 voluntários(as) foram mobilizados de diversas instituições de ensino superior da região - ETEC, FALC, FNC, UNIBAN, UNIFIEO e ANHANGUERA -, e também foram ampliadas as parcerias com o 33º Batalhão da Polícia Militar, e com o SENAI, a ONG Igualeunão diretos iguais para todos, OCA e Quilombo Baobá.

Dentre os destaques merecidos pela qualidade de seus trabalhos e integração com a comunidade, estão a Capoeira gingada pelo Grupo Nação Patuá (Mestre Magrão) no Parque do Planalto, dia 10; oficinas, recreação e performances com Lenilda Ladeia no Paturis, dia 12; Sarau e pintura de rosto com Fabiana da Cia. de Arte Balu no Inac, dia 24, e, Crianças, folias, rap e cordel, com a arte-educadora Márcia Regina, em Conversa com a Autora - apresentando o livro “A lenda da Pemba”, e oferecendo oficina de gravura -, e com o cancioneiro Mestre Sr. José Francisco, Rapper Harry Joe e Coral da Escola de Música Tim Maia na Praça da Aldeia, dia 26, encerrando, com chave de ouro, a temporada da Biblioteca Móvel Itapemirim na cidade.

Motivado pela importância do propósito do Projeto e pelo sucesso do mesmo em Carapicuíba, o prefeito Sergio Ribeiro já encaminhou junto à Secretária de Educação Aparecida da Graça Carlos providências para que o município, a exemplo do Grupo Itapemirim, lance o seu próprio Projeto de Biblioteca Itinerante que atenda a população bairro a bairro.









O benefício da dúvida

Difícil é lidar com donos da verdade. Não há dúvida de que todos nós nos apoiamos em algumas certezas e temos opinião formada sobre determinados assuntos; é inevitável e necessário. Se somos, como creio que somos, seres culturais, vivemos num mundo que construímos a partir de nossas experiências e conhecimentos. Há aqueles que não chegam a formular claramente para si o que conhecem e sabem, mas há outros que, pelo contrário, têm opiniões formadas sobre tudo ou quase tudo. Até aí nada de mais; o problema é quando o cara se convence de que suas opiniões são as únicas verdadeiras e, portanto, incontestáveis. Se ele se defronta com outro imbuído da mesma certeza, arma-se um barraco.

De qualquer maneira, se se trata de um indivíduo qualquer que se julga dono da verdade, a coisa não vai além de algumas discussões acaloradas, que podem até chegar a ofensas pessoais. O problema se agrava quando o dono da verdade tem lábia, carisma e se considera salvador da pátria. Dependendo das circunstâncias, ele pode empolgar milhões de pessoas e se tornar, vamos dizer, um “führer”.

As pessoas necessitam de verdades e, se surge alguém dizendo as verdades que elas querem ouvir, adotam-no como líder ou profeta e passam a pensar e agir conforme o que ele diga. Hitler foi um exemplo quase inacreditável de um líder carismático que levou uma nação inteira ao estado de hipnose e seus asseclas à prática de crimes estarrecedores.

A loucura torna-se lógica quando a verdade torna-se indiscutível. Foi o que ocorreu também durante a Inquisição: para salvar a alma do desgraçado, os sacerdotes exigiam que ele admitisse estar possuído pelo diabo; se não admitia, era torturado para confessar e, se confessava, era queimado na fogueira, pois só assim sua alma seria salva. Tudo muito lógico. E os inquisidores, donos da verdade, não duvidavam um só momento de que agiam conforme a vontade de Deus e faziam o bem ao torturar e matar.

Foi também em nome do bem – desta vez não do bem espiritual, mas do bem social – que os fanáticos seguidores de Pol Pot levaram à morte milhões de seus irmãos. Os comunistas do Khmer Vermelho haviam aprendido marxismo em Paris não sei com que professor que lhes ensinara o caminho para salvar o país: transferir a maior parte da população urbana para o campo. Detentores de tal verdade, ocuparam militarmente as cidades e obrigaram os moradores de determinados bairros a deixarem imediatamente suas casas e rumarem para o interior do país. Quem não obedeceu foi executado e os que obedeceram, ao chegarem ao campo, não tinham casa onde morar nem o que comer e, assim, morreram de inanição. Enquanto isso, Pol Pot e seus seguidores vibravam cheios de certeza revolucionária.

É inconcebível o que os homens podem fazer levados por uma convicção e, das convicções humanas, como se sabe, a mais poderosa é a fé em Deus, fale ele pela boca de Cristo, de Buda ou de Muhammad. Porque vivemos num mundo inventado por nós, vejo Deus como a mais extraordinária de nossas invenções. Sei, porém, que, para os que crêem na sua existência, ele foi quem criou a tudo e a todos, estando fora de discussão tanto a sua existência quanto a sua infinita bondade e sapiência.

A convicção na existência de Deus foi a base sobre a qual se construiu a comunidade humana desde seus primórdios, a inspiração dos sentimentos e valores sem os quais a civilização teria sido inviável. Em todas as religiões, Deus significa amor, justiça, fraternidade, igualdade e salvação. Não obstante, pode o amor a Deus, a fé na sua palavra, como já se viu, nos empurrar para a intolerância e para o ódio.

Não é fácil crer fervorosamente numa religião e, ao mesmo tempo, ser tolerante com as demais. As circunstâncias históricas e sociais podem possibilitar o convívio entre pessoas de crenças diferentes, mas, numa situação como do Oriente Médio hoje, é difícil manter esse equilíbrio. Ali, para grande parte da população, o conflito político e militar ganhou o aspecto de uma guerra religiosa e, assim, para eles, o seu inimigo é também inimigo de seu Deus e a sua luta contra ele, sagrada. Não é justo dizer que todos pensam assim, mas essa visão inabalável pode ser facilmente manipulada com objetivos políticos.

Isso ajuda a entender por que algumas caricaturas – publicadas inicialmente num jornal dinamarquês e republicadas em outros jornais europeus – provocaram a fúria de milhares de muçulmanos que chegaram a pedir a cabeça do caricaturista. Se da parte dos manifestantes houve uma reação exagerada – que não aceita desculpas e toma a irreflexão de alguns jornalistas como a hostilidade de povos e governos europeus contra o islã–, da parte dos jornais e do caricaturista houve certa imprudência, tomada como insulto à crença de milhões de pessoas.

Mas não cansamos de nos espantar com a reação, às vezes sem limites, a que as pessoas são levadas por suas convicções. E isso me faz achar que um pouco de dúvida não faz mal a ninguém. Aos messias e seus seguidores, prefiro os homens tolerantes, para quem as verdades são provisórias, fruto mais do consenso que de certezas inquestionáveis.

Autor: Ferreira Gullar